O Brasil possui um dos índices baixos, porém encontra-se em um impasse: enquanto essas taxas diminuem na maioria dos países, no Brasil elas tem avançado. Em meados de 2002 até 2012 o número de casos aumentou em 34% sendo que entre os adolescentes de 10 a 14 anos aumentou em 40% de acordo com o Mapa da Violência.
Talvez você nunca tenha ouvido falar sobre tais dados, não é agradável ouvir sobre alguém que se matou ou tentou fazer isso, portanto, esse fenômeno vêm acompanhado de um dos motivos de seu alastramento: o silêncio.
O Fenômeno Hannah Baker

A série popularizou-se de imediato, tornando-se um assunto obrigatório em algumas famílias e escolas, visto que tal incidência nunca foi tão alta em adolescentes como visto hoje em dia. O Centro de Valorização da Vida (CVV), principal órgão de apoio psicológico e prevenção ao suicídio no Brasil, anunciou que na primeira semana de Abril, uma semana após o lançamento da série, a taxa de procura dos serviços aumentou em 445%, muitos mencionando a história da protagonista Hannah, um número animador e esperançoso para todos nós.
O Efeito Werther
Nem todos concordam que o seriado foi positivo entretanto, muitos criticam a cena explícita da morte de Hannah Baker, sendo até não recomendada pela OMS, o grande medo é o do “Efeito Werther”, cujo nome vêm do romance “Os sofrimentos do jovem Werther”, do Goethe, onde o protagonista após ser deixado pela amada tira sua vida. O tom depressivo do livro lançado no século XVIII, provocou uma comoção nos jovens da época ao qual seguiram o personagem e se mataram. Esse fenômeno é comprovado cientificamente pela universidade de Viena, onde analisaram 98 casos de suicídios entre famosos e perceberam reportagens sensacionalistas que “romantizavam” o ocorrido, estimulando o chamado “suicídio por imitação”. Fato igual ao ocorrido em 1962, quando a imprensa anuncia o suicídio de Marylin Monroe, o que levou a um aumento de 12% no índice americano.
O fósforo e a grama
Tudo isso nos leva até a entender o porquê do suicídio ser tão acobertado, porém é impossível fugir do fato de que isso continua acontecendo. Após essa tragédia ocorrer é possível explorar os motivos que levaram a isso, onde são encontrados grandes causadores como: falecimento de parente, divulgação de vídeo íntimo, falência. Porém esses fatos, sozinhos, não explicam suficientemente a morte. Não são os eventos dolorosos da vida que levam a isso, mas o efeito incendiário que esses acontecimentos fazem se “alastrar” em uma mente frequentemente doente e fragilizada, tornando toda a situação inescapável. O falecimento de um parente, divulgação de um vídeo íntimo ou a falência são os agentes incendiadores, o fósforo aceso, a mente humana é a grama, uma mente frágil é uma grama seca, onde o fogo alastra-se facilmente em proporções catastróficas, já a grama verde – que repele o incêndio – é a mente saudável, que possui agentes protetores, estar empregado, casado ou acompanhado, possuir filhos e apoio, acima de tudo. A sociedade pode “ser” o bombeiro, podemos apagar o incêndio, podemos ser um jardineiro, regar continuamente a grama para ela não secar.
Devemos confortar, a melhor forma de se combater é o diálogo da sociedade. Precisamos falar sobre o suicídio não somente em Setembro, em todos os meses, todos os dias, todas as horas é preciso estar lutando, pois quanto mais pessoas souberem, mais pessoas irão tentar fazer algo para mudar.
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