terça-feira, 25 de agosto de 2026

Aos 17, ainda temos tempo: vestibular e medo de escolher errado (Parte 2)

Só que saber que podemos recomeçar não faz o medo sumir. Ou pelo menos ninguém na hora do vestibular vai pensar nisso. Essa liberdade de escolher já não ajuda muito nessa situação, se você não escolher direito, você erra. Os meses de estudo, meses de tanto rachar a cabeça escolhendo o que cursar parecem servir também como mais motivo para a ansiedade atacar. Porque agora existe uma prova entre você e o próximo passo da sua vida.

Você começa a contar quantas questões precisa acertar, compara suas notas com as dos outros, olha para tudo que ainda não conseguiu estudar. Se esquece de todos os simulados, cada matéria que você não lembra aumenta o desespero. De repente, você passa mais tempo da prova pensando no que poderia ter feito, do que nos seus estudos.

E é no meio do desespero da prova que você, ironicamente, não pode pensar no que vai ser do futuro. Naquele momento, não adianta tentar descobrir se você vai passar, se escolheu o curso certo ou se o que você colocou no gabarito tá certo ou errado. A prova está ali, na sua frente, o futuro pode esperar. 

É claro que não passar pode ser frustrante. Sensação de tempo perdido. Mas ninguém sabe o que vai ser do resultado. E se não passar? Do que adiantaria ficar se martelando? 

Talvez a gente coloque responsabilidade demais em uma única prova. Como se aquele resultado fosse ser definitivo. Mas vestibular é uma prova, não uma previsão do resto da sua vida. Você pode passar, não passar, tentar de novo, mudar de curso ou, quem sabe, virar padeiro.

Então estude. Faça o seu melhor. Leve o vestibular a sério, mas não fique se martelando para ter uma resposta hoje, de como será amanhã. A maioria dos vestibulares começa em 2 meses, é o suficiente para revisar o necessário, parar, respirar e soltar esse peso de decidir seu futuro hoje.

Aos 17, ainda temos tempo. Talvez lembrar disso não faça o vestibular dar menos medo. Mas pode ajudar a lembrar que, por mais importante que ele seja, ainda é melhor fazer o possível agora e não se perder em possibilidades que não sabemos se realmente acontecerão.


Aos 17, ainda temos tempo: vestibular e medo de escolher errado (Parte 1)



Durante a Segunda Guerra Mundial, um aluno jovem procurou seu professor em busca de um conselho. Ele precisava tomar uma decisão que parecia impossível: ficar em casa para cuidar de sua mãe ou partir para longe lutar contra os alemães em um combate sangrento e vingar o nome de seu pai e irmão que morreram servindo. Qualquer decisão parecia como enfiar uma faca de dois gumes no peito. Se ele ficasse com a mãe, aquela vontade ardente que tinha de combater talvez o consumisse para sempre, se servisse, nada iria garantir que ele não passaria anos assinando papéis ou talvez morresse em combate, deixando sua mãe sozinha.  O nome do professor era Jean Paul Sartre e a única resposta que ele pôde dar foi “Você é livre, escolha, ou seja, invente”.

Com 17 anos, felizmente, a nossa situação não exige nenhuma luta sangrenta nem perigosa. Mas toda a sociedade espera que você saiba escolher uma profissão, e mais, que você escolha e passe logo em um vestibular de 180 questões que vai decidir quem você será na vida.

Não basta prestar vestibular, tem que passar logo no terceiro do ensino médio. Não basta passar, ainda fica o medo e a agonia de ter tomado a decisão errada. Essa pressão toda é sufocante para qualquer aluno que busca entrar na faculdade.

Temos que admitir, Sartre tinha um ponto. Pergunte a 1000 pessoas e terá 1000 respostas diferentes. Cada pessoa irá te dizer que tem um caminho melhor, uma profissão mais segura, uma escolha mais realista, menos ingênua. Haverá até aqueles que querem se aproveitar da sua insegurança para vender cursos inúteis como única maneira de dar certo. Seus pais pensam algo, seus professores tem outras ideias e seus amigos outras mais diferentes. Nenhum deles está certo, muito menos errados. E no final das contas, mesmo que você esteja decidindo pelo que ouviu, já está tomando uma decisão. E se não existe decisão errada, será que você deveria se pressionar tanto a ter uma escolha perfeita?

A verdade é que você está condenado a ser livre, como dizia Sartre. Estar aprisionado pela própria liberdade soa bem contraditório, mas o que isso quer dizer é que não podemos fugir da necessidade de escolher, porque até mesmo não escolher é, no fundo, uma decisão que é tomada. Assim como o aluno não poderia ter certeza de nada, tal é o estudante que está incerto sobre sua futura carreira. Quem sabe o que pode acontecer? Nada garante que você vai se arrepender, nem que vai gostar, e nenhuma das duas possibilidades significa que tudo dará errado.



Isso é o que mais dá medo. Tomar uma decisão e querer ter certeza de que tudo vai dar certo. Queremos saber que a profissão escolhida vai nos fazer felizes, que o curso vai ser como imaginamos e que, depois de alguns anos, vamos acertar de primeira. Mas não existe um jeito de saber. O importante é que estando livres a tomar nossas decisões, também estamos livres a recomeçar sempre que quisermos. Tem tempo para errar, para pensar e, para no meio disso tudo, encontrar nas nossas decisões o que nós queremos ser.


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Procura-se: um emprego que não custe minha saúde mental. Seria a Geração Z preguiçosa ou lúcida?

 Se você perguntar para um gorila: "Em qual ano nós estamos?", ele vai te responder "nós estamos ai, cara!". E, na correria do dia a dia, esbarramos com um parente que vai dizer também: "A nova geração não quer saber de nada!". Mas o que está rolando de verdade? O que gorilas e primos podem trazer para nós, jovens céticos? 


Primeiro, vamos as hipóteses: 1. A geração Z é preguiçosa; 2. Millennials e Baby boomers são chatos!; 3. O sistema está em pedacinhos. 

1. A Geração Z é preguiçosa.

Vamos falar a verdade: a Gen Z virou o pior pesadelo dos chefes e autoridades do mercado. Ela tem sido a pioneira em questionar as alas mais tradicionais das empresas, onde o rito de passagem é crucial. Primeiro, você entra como um estagiário e deve estar disposto a tudo, para conquistar seu reconhecimento. Conforme os cargos vão passando, sua autoridade permite que gradualmente, faça como os seus próprios chefes ao mesmo tempo que respeite a linha tênue da submissão (oops! a linha tênue do respeito*). É o famoso "manda quem pode, obedece quem tem juízo". 

Quando os mais jovens entram nesse esquema, a dinâmica está em xeque. Os gestores encaram cada vez mais questionamentos que são vistos como insolência e falta de ética profissional. "Por que preciso fazer isso agora?", "Por que preciso fazer isso dessa maneira?" e a hesitação em cumprir ordens diretas, sem reclamações, resultam em uma reputação péssima para os recém-chegados. Para os de alto escalão, a produção deve ser mais pragmática. Focar no necessário e priorizar a entrega, antes mesmo de contestar. 

2. Millennials e Baby Boomers são chatos!

Se você olhar no espelho retrovisor, voltar umas décadas atrás, vai dar de cara com uma geração que encontrava honra ao trabalhar. A profissão te definia como pessoa, personalidade e emoções. A lógica era linear e quase religiosa: ser contratado, vestir a camisa da empresa, engolir uns sapos e em troca, conquistar estabilidade, uma linda progressão de carreira; e agora você é uma pessoa de bem. 

E no final de contas, onde tudo isso foi parar? 

O tempo passou, as incertezas aumentaram. Para o jovem brasileiro do século XXI, casa própria virou sonho de princesa e a aposentadoria, uma lenda urbana. Entretanto, a cobrança é a mesma dentro do escritório, no meio de tantas propostas e reuniões. Isso quando se consegue uma vaga em escritórios. 

Colocando na balança, o trabalho virou exclusivamente necessidade: perdeu a parcela do conforto que poderia proporcionar, mas ainda faz parte da rotina do homem de maneira central. A Geração Z não podia estar mais perdida!

3. O sistema está em pedacinhos.

Espera ai! Segura essa fita. Será que o problema não é maior do que isso? A verdade nua e crua está, especificamente, no rompimento de um contrato social. Todo o estilo de vida que funcionava para os nossos tios e pais, hoje em dia encontra-se triturado pela mudança no mercado de trabalho. Nem uma epidemia da preguiça, e nem conservadores cafonas. 

Há uma mudança filosófica acerca da sociedade. Não se vive mais para trabalhar, mas procura-se trabalhar para viver. O que está na moda é conseguir ler um bom livro, praticar esportes legais e sair com as pessoas que você ama. Parte disso surge sim, da falta de recompensa material que o emprego te oferece nos dias atuais, com o poder de compra cada vez pior e propostas de empregos complicadas. Fenômenos como a nova "uberização" ou a pejotização forçada (onde você tem as obrigações de um funcionário, mas nenhum direito) são desanimadoras. Trabalhar duro já não garante estabilidade; com sorte, garante o pagamento do aluguel do mês e, com azar, uma receita de tarja preta na gaveta da cabeceira.

No fim das contas, talvez lucidez seja o termo certo para essa nova gente. Eles entendem perfeitamente o que traz a música do Rubel "Mantra", que usa uma fala do Tim Maia (ele mesmo!) e personifica o gorila para mostrar que a competição e a corrida contra o tempo não estão na sua natureza. O importante é o presente que pode ser vivido. Mas ainda assim, valorizar e escutar o que os mais velhos dizem, enriquece nossa forma de ver esse mundo tão maluco. E se os devaneios da existência apertarem mais uma vez, o jeito é respirar fundo e lembrar da sabedoria do nosso querido primata: a gente só 'está ai, cara!'

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Quando a Copa começa, todo mundo é brasileiro. Para onde vai essa união quando o jogo acaba?

Copa do Mundo chegou e, misteriosamente, o grupo da família que até duas semanas atrás estava brigando por conta de política começou a se encher de figurinha da Seleção. E agora, até a sua vó que usa dentadura vira técnica de futebol enquanto o tio chato do pavê só sabe falar dos velhos tempos de Ronaldo Fenômeno. 

Essa é a Copa do Mundo, o grandioso acontecimento que faz até as pessoas que não gostam de futebol pararem por 90 minutos para ver a seleção jogar, comemoram quando ganham, choram quando perdem, mas, juntos nos dois casos. E é aí que surge a pergunta: por que conseguimos nos reunir para comemorar um gol, mas temos tanta dificuldade de nos unir para resolver os problemas desse país? Para onde vai essa força? Por que todos se separam? 


O que é curioso, é como tanta gente ama a ideia de Brasil, mas nem sempre demonstra o mesmo carinho pelo Brasil real. O Brasil da escola pública, do ônibus lotado, dos artistas, dos trabalhadores e das pessoas que mantêm esse país funcionando todos os dias. De repente, ele vira o "Bostil" e fazem parecer que o culpado é o povo, como se o problema fosse intrinsicamente o povo brasileiro.

Essa visão de que tudo é culpa da própria população e de que o coletivo teria falhado, ainda mais quando vem dos próprios brasileiros, mostra como o Brasil não é simplesmente um povo único que age sempre em prol de um símbolo.

Darcy Ribeiro, no livro “O Povo Brasileiro” aborda o Brasil como diferentes povos, com culturas diferentes. Pra ele, não existe só Brasil, existem os chamados “Brasis” convivendo todos juntos dentro de um território enorme. No fundo, ainda unidos por um senso de pertencimento.


Mas afinal, o que é esse povo brasileiro tão diferente que ainda se enxerga como uma coisa só?

Esses “Brasis” não são países diferentes, mas grupos diferentes que experimentam o país de uma perspectiva diferente. Para Darcy, existe o Brasil crioulo, marcado por centros urbanos e pela forte presença de cultura afro-brasileira; o Brasil caboclo, que é a mistura entre indígenas e europeus, muito presente na Amazônia e em regiões mais fechadas, difíceis de serem atingidas; o Brasil sertanejo, é o povo que sofre com seca, é resistente e luta pra sobreviver no interior; o Brasil caipira, ligado ao interior do Sudeste e Centro-Oeste, marcado pela vida rural por tradições antigas; e o Brasil sulino, influenciados fortemente pela Europa. São todos marcados por histórias, costumes e desafios diferentes que geram uma divisão muito grande as vezes.

O que a copa faz, no fundo, é unir esses “Brasis” de tempos em tempos sob um mesmo símbolo com um mesmo objetivo, mesmo na pior fase.  É como se, apesar de tantas diferenças, tantos problemas e tantas discordâncias, algo ainda fizesse esse conjunto de gente se reconhecer como um único povo. 

Mas aí fica a pergunta: Por que essa força some quando queremos melhorar de fato o país ou lutar por condições melhores de trabalho como no caso da escala 6x1?

O problema é que isso volta só quando é conveniente, quando tudo que se precisa fazer é torcer para ganhar o jogo e ficar por alguns dias se segurando em um símbolo forte que é a seleção brasileira no futebol. Depois disso, os “Brasis” se separam e voltam a discutir os mesmos problemas sem conseguir se unir em torno de uma luta.

Talvez o mais perigoso seja acreditar que essa união deixa de existir.

A cada quatro anos, ela simplesmente volta e todo mundo se junta. Os "Brasis" se encontram, compartilham o mesmo símbolo, comemoram as mesmas conquistas e o país para pra ver o futebol rolar. É essa façanha que temos que repetir, parar o país por um mesmo objetivo.

A copa prova que somos capazes de se unir.

A questão é: Por que aceitamos que essa união dure apenas noventa minutos?


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Procrastinação na adolescência: Por que é tão difícil começar? (Parte 2)

 8) Dê espaço para o lazer sem culpa

Descansar não atrapalha, descansar sustenta. Momentos de lazer equilibram seu sistema emocional, reduzem o estresse e renovam sua motivação. Eles garantem que você não chegue esgotado nas atividades mais difíceis. E no fim das contas, equilíbrio é uma das armas mais poderosas contra a procrastinação.

9) Crie uma rotina

Ter um rotina é uma das formas mais eficientes de vencer a procrastinação, o planejamento auxilía muito nesse processo. Comece simples, como definindo horários básicos para acordar, estudar, descansar e fazer suas outras tarefas. Essa estrutura dá expectativa ao cérebro, reduz a ansiedade e evita o "não sei por onde começar". Com o tempo, tudo fica mais automático e o ato de procrastinar vai perdendo o espaço.

Para finalizar, têm mais algumas coisas que são importantes de lembrar:

  • Você não precisa esperar a vontade aparecer para começar. Ela raramente chega assim do nada, na vida real, é a ação que cria motivação, não o contrário. Então, às vezes, basta dar aquele mini passo inicial, mesmo sem estar 100%, para o resto fluir.
  • Comparar o seu ritmo com o dos outros é uma armadilha silenciosa. Cada pessoa aprende, produz, sente e vive de um jeito completamente diferente. O que funciona para alguém pode não funcionar para você, e tudo bem. Seu tempo não é atraso, é apenas o seu tempo.
  • Errar, travar, tentar de novo, isso faz parte do processo de qualquer pessoa. A procrastinação não desaparece como um passe de mágica, mas você pode sim reduzir o impacto dela. E isso já é uma vitória enorme.
  • E claro, seja gentil com você mesmo. Autocobrança excessiva não te deixa mais produtivo, ela só aumenta o peso, o medo e o ciclo de adiantamento. Se tratar com mais leveza não é preguiça, é maturidade emocional.
No fim das contas, procrastinar não faz de você alguém incapaz ou desorganizado, faz você humano. A adolescência já é cheia de descobertas, expectativas, inseguranças e pressões invisíveis. É natural sentir medo, cansaço ou dúvida diante de tudo isso. Mas, passo a passo, com estratégias simples e consistentes, é possível construir uma rotina mais leve, consciente e equilibrada. E quando você percebe, as coisas começam a fluir, não porque você virou alguém perfeito, mas porque aprendeu a se entender, se respeitar e agir no seu próprio ritmo. E é isso que no fundo, faz toda a diferença.

Procrastinação na adolescência: Por que é tão difícil começar? (Parte 1)

 Quem nunca se pegou dizendo "só mais cinco minutinhos", "daqui a pouco eu começo" ou "depois eu faço"? A verdade é que todo mundo já viveu esse momento em que a gente sabe exatamente o que precisa fazer, mas parece que existe uma força invisível puxando para longe da responsabilidade. E na adolescência, essa sensação costuma ser ainda mais intensa.

Todos já tiveram esse momento de olhar para a tarefa, sentir o peso do que precisa fazer e sem nem perceber estar rolando o feed, assistindo vídeos e prestando atenção em tudo menos no que realmente importa. É uma mistura de culpa, cansaço, medo, preguiça e ao mesmo tempo um alívio momentâneo muito difícil de resistir. Procrastinar não é só não querer fazer, é sentir o corpo pesado, a mente dispersa, o tempo passando rápido demais e mesmo assim não conseguir começar. E é esse conflito interno entre o que sabemos que precisamos fazer e o que conseguimos fazer que transforma a procrastinação em algo tão presente na vida de tantos adolescêntes. Afinal, ninguém nasce sabendo lidar com a pressão, expectativas, medo de falhar e cansaço emocional. E é aí que a procrastinação aparece, quase como um pedido silencioso de pausa, mesmo quando ela chega no pior momento possível.

Superar a procrastinação pode até parecer uma missão impossível, mas na verdade ela começa com passos pequenos e consistentes. Não adianta mudar tudo de uma vez, o segredo está em criar hábitos simples que juntos fazem uma diferença enorme. Se  você quer mudar mas não sabe por onde, essas estratégias podem servir como um pequeno auxilio e empurrão:

1) Entenda o que te trava 

Antes de querer correr, vale a pena perguntar o que está me segurando. Às vezes é puro desinteresse, outras vezes é o medo do julgamento, da falha ou da sensação de incapacidade. Quando você identifica o "gatilho", deixa de lutar no escuro. Fica mais fácil criar soluções que realmente fazem sentido para você, e não aquelas receitas prontas que nunca funcionam na prática.

2) Misture o útil ao agradável

Tem tarefa que parece que pesa só de olhar né? Nessas horas, vale trazer para perto algo que te satisfaz, como uma música que você ama, uma bebida gostosa, ou até uma companhia de alguém tranquilo. É como se você dissesse ao seu cérebro "isso não é tão ruim quanto parece". E por incrível que pareça, funciona. 

3) Divida tarefas grandes em partes menores

Quando você olha para uma tarefa gigante, a primeira reação é fugir. Mas se você transformar essa obrigação em pequenas partes, em passos simples, ela deixa de ser assustadora. E cada etapa concluída vira um motivo para comemorar que te impulsiona para a próxima. É assim que nasce aquele efeito das pequenas vitórias, uma conquista puxa a outra.

4) Dê limites ao seu tempo

Ao invés de tentar fazer tudo, escolha focar em algo por 20 minutos. Quando existe um prazo pequeno, claro e realista, a mente coopera melhor. As distrações perdem força. A tarefa ganha forma. O foco aparece como mágica, mas é pura estratégia.

5) Uma coisa por vez

Multitarefa parece eficiente, mas só cansa. Nosso cérebro trabalha muito melhor quando recebe uma missão clara por vez. Então faça o que precisa ser feito, conclua, dê uma pausa curta, respire e só então vá para a próxima. Essa sequência cria um fluxo natural que facilita o foco e economiza energia mental.

6) Use seus horários de ouro

Todo mundo tem um momento do dia em que a mente brilha mais. Pode ser de manhã, de tarde ou até no meio da noite. Guarde suas tarefas mais exigentes para esse período. Como o cérebro gasta muita energia, tentar forçar produtividade no seu "pior horário" é pedir para travar, e aí você sabe o que acontece, a procrastinação volta com força.

7) Cuide do básico pois eles não são básicos

Sono ruim, falta de movimento,pouca luz solar e alimentação desregulada não são detalhes, são bloqueios reais. Quando o corpo está cansado, o cérebro se protege buscando tarefas leves e rápidas. Ou seja, você procrastina não porque é preguiçoso, mas porque está sem combustível. O autocuidado é sua base de produtividade.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Cinema Brasileiro: Uma jornada pela história do cinema nacional (Parte 1)

 Quando o assunto é cinema nacional, muita gente já solta aquele famoso discurso “ah, filme brasileiro é muito ruim”, “filme brasileiro é fraco”, “Brasil não faz filme bom”. Mas será que essa ideia faz mesmo sentido? Ou é apenas um reflexo de preconceitos e desconhecimento? Por trás dessa opinião, existe uma indústria cheia de lutas, conquistas e produções que marcaram épocas e gerações, feitas por pessoas talentosas que colocam o Brasil no mapa do audiovisual mundial. Então, será que você conhece a história do nosso cinema e essas obras?

O cinema brasileiro começou lá no finalzinho do século XIX, quando os irmãos Paschoal Affonso e Segreto filmaram a Baía de Guanabara em 19 de julho de 1898. Apesar desse registro ter sido perdido, a data marcou o nascimento do nosso cinema, sendo conhecida como o dia do cinema brasileiro. Nos primeiros anos, tudo era improvisado, faltava eletricidade, as salas de exibição eram poucas e muitos filmes mostrados vinham de fora, principalmente da Europa. Mesmo assim, os primeiros cineastas brasileiros já registravam o cotidiano, as cidades, as festas e até alguns crimes que inspiraram ficções.

Mas essa fase durou pouco. Com a Primeira Guerra Mundial, a produção europeia caiu e os filmes estadunidenses começaram a dominar as telas brasileiras. Hollywood adentrou nosso cinema com histórias bem estruturadas, ritmo e finais felizes, um "padrão" que conquistou o público e enfraqueceu ainda mais as produções nacionais.

Mesmo nesse cenário, surgiram grandes estúdios como a Cinédia, nos anos 1930, que tentaram seguir um modelo mais profissional e até simpatizar com o estilo hollywoodiano. Foi nessa época que Carmen Miranda virou estrela e que o cinema sonoro finalmente ganhou força no Brasil. Pouco tempo depois, nos anos de 1940 e 1950, veio um dos fenômenos mais engraçados e populares do país, as chancadas. Eram comédias leves, divertidas e cheias de músicas, com figuras como Oscarito e Grand Otelo. A crítica repreendia, mas o público abraçava e lotava os cinemas.

Enquanto isso, outro movimento completamente diferente estava nascendo. No final dos anos 1950 e início dos 1960, jovens cineastas começaram a questionar essa tentativa de produzir um cinema "padronizado" no modelo de Hollywood. Assim surgiu o cinema novo, liderado por Glauber Rocha. A ideia era mostrar a realidade do Brasil sem maquiagem, destacando a pobreza, desigualdade, conflitos sociais. Era um cinema mais político, direto e cheio de significado. Filmes como Vidas Secas, Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe marcaram profundamente a história do audiovisual brasileiro.

Ao mesmo tempo houve também o cinema marginal, mais experimental e radical, que rejeitava qualquer forma tradicional de narrativa. Foi um período de busca por liberdade artística num país vivendo sob a pressão da ditadura militar.

Para tentar organizar e fortalecer a indústria, o governo criou em 1969, a Embrafilme, responsável por financiar, distribuir e incentivar o cinema nacional. Esse foi um momento importante pois vários filmes brasileiros passaram a circular mais, ganhar bilheterias enormes e alcançar o público de forma muito mais ampla. Dona Flor e Seus Dois Maridos, Os Trapalhões e diversos filmes comerciais marcaram presença forte nas salas.

Porém , nos anos 1980, o Brasil enfrentou uma crise econômica séria. O videocassete se popularizou, as pessoas foram menos ao cinema e a produção nacional despencou. a situação piorou de vez em 1990, quando o governo Collor acabou com a Embrafilme e praticamente destruiu o pouco avanço que ainda existia. Em 1992, por exemplo, só três filmes brasileiros foram lançados em todo o país.

Foi aí que, a partir de 1994, começou a fase chamada retomada. Novas leis de incentivo ressuscitaram o cinema nacional, e uma série de filmes importantes voltou a aparecer. Carlota Joaquina abriu caminho para obras como O Quatrilho, O Que É Isso, Companheiro? e Central do Brasil, que ganharam destaque internacional e até indicações ao Oscar. Apesar disso, ainda era difícil competir com Hollywood dentro do próprio país, mas o cinema brasileiro voltou a ter voz, qualidade e reconhecimento.

O filme que marcou o fim simbólico da retomada foi Cidade de Deus(2002), de Fernando Meirelles. Ele explodiu no mundo inteiro, recebeu quatro indicações ao Oscar e mostrou que o Brasil podia, sim, fazer cinema de altíssimo nível.

Depois disso, na fase chamada pós retomada, o cinema brasileiro se consolidou com produções comerciais de grande público, como Tropa de Elite, Minha Mãe É Uma Peça e De Pernas pro Ar, ao mesmo tempo em que produções independentes começaram a ganhar força em festivais internacionais. Diretores como Kleber Mendonça Filho, Gabriel Mascaro, Petra Costa e Anna Muylaert mostraram que o Brasil sabe fazer cinema diverso, corajoso e autoral.

Mesmo com crises recentes, corte de verbas e incertezas políticas, o audiovisual brasileiro continua vivo, agora contando também com o apoio de plataformas de streaming, da internet e das novas formas de produção.