Se você perguntar para um gorila: "Em qual ano nós estamos?", ele vai te responder "nós estamos ai, cara!". E, na correria do dia a dia, esbarramos com um parente que vai dizer também: "A nova geração não quer saber de nada!". Mas o que está rolando de verdade? O que gorilas e primos podem trazer para nós, jovens céticos?
Primeiro, vamos as hipóteses: 1. A geração Z é preguiçosa; 2. Millennials e Baby boomers são chatos!; 3. O sistema está em pedacinhos.
1. A Geração Z é preguiçosa.
Vamos falar a verdade: a Gen Z virou o pior pesadelo dos chefes e autoridades do mercado. Ela tem sido a pioneira em questionar as alas mais tradicionais das empresas, onde o rito de passagem é crucial. Primeiro, você entra como um estagiário e deve estar disposto a tudo, para conquistar seu reconhecimento. Conforme os cargos vão passando, sua autoridade permite que gradualmente, faça como os seus próprios chefes ao mesmo tempo que respeite a linha tênue da submissão (oops! a linha tênue do respeito*). É o famoso "manda quem pode, obedece quem tem juízo".
Quando os mais jovens entram nesse esquema, a dinâmica está em xeque. Os gestores encaram cada vez mais questionamentos que são vistos como insolência e falta de ética profissional. "Por que preciso fazer isso agora?", "Por que preciso fazer isso dessa maneira?" e a hesitação em cumprir ordens diretas, sem reclamações, resultam em uma reputação péssima para os recém-chegados. Para os de alto escalão, a produção deve ser mais pragmática. Focar no necessário e priorizar a entrega, antes mesmo de contestar.
2. Millennials e Baby Boomers são chatos!
Se você olhar no espelho retrovisor, voltar umas décadas atrás, vai dar de cara com uma geração que encontrava honra ao trabalhar. A profissão te definia como pessoa, personalidade e emoções. A lógica era linear e quase religiosa: ser contratado, vestir a camisa da empresa, engolir uns sapos e em troca, conquistar estabilidade, uma linda progressão de carreira; e agora você é uma pessoa de bem.
E no final de contas, onde tudo isso foi parar?
O tempo passou, as incertezas aumentaram. Para o jovem brasileiro do século XXI, casa própria virou sonho de princesa e a aposentadoria, uma lenda urbana. Entretanto, a cobrança é a mesma dentro do escritório, no meio de tantas propostas e reuniões. Isso quando se consegue uma vaga em escritórios.
Colocando na balança, o trabalho virou exclusivamente necessidade: perdeu a parcela do conforto que poderia proporcionar, mas ainda faz parte da rotina do homem de maneira central. A Geração Z não podia estar mais perdida!
3. O sistema está em pedacinhos.
Espera ai! Segura essa fita. Será que o problema não é maior do que isso? A verdade nua e crua está, especificamente, no rompimento de um contrato social. Todo o estilo de vida que funcionava para os nossos tios e pais, hoje em dia encontra-se triturado pela mudança no mercado de trabalho. Nem uma epidemia da preguiça, e nem conservadores cafonas.
Há uma mudança filosófica acerca da sociedade. Não se vive mais para trabalhar, mas procura-se trabalhar para viver. O que está na moda é conseguir ler um bom livro, praticar esportes legais e sair com as pessoas que você ama. Parte disso surge sim, da falta de recompensa material que o emprego te oferece nos dias atuais, com o poder de compra cada vez pior e propostas de empregos complicadas. Fenômenos como a nova "uberização" ou a pejotização forçada (onde você tem as obrigações de um funcionário, mas nenhum direito) são desanimadoras. Trabalhar duro já não garante estabilidade; com sorte, garante o pagamento do aluguel do mês e, com azar, uma receita de tarja preta na gaveta da cabeceira.
No fim das contas, talvez lucidez seja o termo certo para essa nova gente. Eles entendem perfeitamente o que traz a música do Rubel "Mantra", que usa uma fala do Tim Maia (ele mesmo!) e personifica o gorila para mostrar que a competição e a corrida contra o tempo não estão na sua natureza. O importante é o presente que pode ser vivido. Mas ainda assim, valorizar e escutar o que os mais velhos dizem, enriquece nossa forma de ver esse mundo tão maluco. E se os devaneios da existência apertarem mais uma vez, o jeito é respirar fundo e lembrar da sabedoria do nosso querido primata: a gente só 'está ai, cara!'


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