Como você se imagina daqui a 10 anos?
É uma pergunta meio absurda e talvez muitos não tenham nem ideia do que responder. Dez anos atrás éramos outras pessoas, sem muita ideia de onde estaríamos no futuro. Talvez você fosse só uma criança assistindo desenho, brincando com alguma coisa que hoje nem lembra mais ou, sei lá, assistindo Bom Dia e Cia, provavelmente não se importava muito em como você estaria depois de uma década. Mesmo assim, hoje é algo que já não parece tão distante, é possível se imaginar trabalhando com alguma coisa que gosta, morando em outro lugar, viajando ou tendo uma casa própria. E repare que as primeiras coisas que vem à cabeça na maioria das vezes não soam como algo muito grandioso.
Poucas são as pessoas que se imaginam discursando para milhões, em algo extremamente grandioso ou tendo uma vida agitada e cheia de coisas? Será que isso faz de alguém menos ambicioso? Tenho minhas dúvidas.
Se pararmos para pensar no que a maioria das pessoas deseja, para além de todas as grandes conquistas, existe sempre aquela vontade de ter uma casa própria, um lugar tranquilo para ficar sozinho ou acompanhado, uma vida tranquila o suficiente para poder viver os momentos sem muita ansiedade. Como se a felicidade estivesse muito mais no viver em si, sem estresse, com boas lembranças, do que na conquista de grandes coisas. Coisas que, perto do que a internet as vezes vende, soam simples demais.
Acontece que vivemos em uma sociedade que aprendeu a odiar o comum. Desde sempre o que fica na cabeça é que devemos ter uma ambição gigantesca, sempre algo grande, como se só isso fosse fazer você se "tornar alguém". Se você imaginar um futuro com uma rotina simples, ou não se pressionar a ser uma pessoa especial, já começa a bater aquela sensação de que vai passar batido, que só ser feliz não é o suficiente.
Mas esse necessidade constante de que a vida precisa ser grandiosa, tudo precisa ser perfeito, tudo precisa dar certo é uma invenção bem atual. Se pararmos para olhar um pouco para a filosofia oriental, a visão do futuro pode ir para um lado bem mais leve.
No Taoísmo existe um conceito chamado de Wu Wei, podemos chamá-lo aqui de "ação sem esforço". A ideia do Lao Tzu, um dos principais nomes dessa filosofia, não era para ninguém ficar de braços cruzados, atrofiando na cama, óbvio, mas sobre seguir o ritmo da vida, do crescimento, sem se preocupar em fazer coisas extremamente grandiosas e significativas. A vida é como um rio, algumas pessoas se pressionam a fazer grandes coisas, na esperança de deixar essa corrente mais significativa, Lao Tzu propõe algo mais simples. E se só seguíssemos a correnteza? Por que o futuro não pode ser só uma carreira simples que te agrade, com pessoas que você gosta?
O budismo vai numa linha muito parecida, ele fala muito do desapego. Mas você não precisa virar buda nem meditar por anos para entender isso. Ele aborda muito sobre abandonar os extremos, não precisa de grandes luxo, grandes feitos.
O próprio Buda é o melhor exemplo disso, e do jeito mais irônico possível. O cara era um príncipe herdeiro que tinha absolutamente tudo, festas, dinheiro, status , até que surtou, meteu o pé do palácio e decidiu ir para o extremo oposto: passou anos sem comer quase nada, morando no mato, tentando virar uma espécie de santo. Resumo da ópera? Ele quase morreu de fome para descobrir o óbvio: que ficar mimado num palácio não é a coisa mais legal do mundo, mas passar fome na floresta também é horrível. A sabedoria dele veio, de verdade, quando ele escolheu o caminho do meio, a simplicidade.
Depois de dar uma olhada nessas duas filosofas, percebemos que a felicidade não está necessariamente em uma grande conquista. A felicidade depende do ato de viver, que é feito quase 100% do tempo de momentos comuns.
Então, se ao pensar em como você se imagina daqui a dez anos a resposta for algo simples, não se sinta mal. Você não precisa impressionar o mundo ou provar algo para alguém para que seu futuro valha a pena.

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