sábado, 26 de setembro de 2026

Como você se imagina daqui a 10 anos? E o que a filosofia oriental nos ensina sobre isso

Como você se imagina daqui a 10 anos?

É uma pergunta meio absurda e talvez muitos não tenham nem ideia do que responder. Dez anos atrás éramos outras pessoas, sem muita ideia de onde estaríamos no futuro. Talvez você fosse só uma criança assistindo desenho, brincando com alguma coisa que hoje nem lembra mais ou, sei lá, assistindo Bom Dia e Cia, provavelmente não se importava muito em como você estaria depois de uma década. Mesmo assim, hoje é algo que já não parece tão distante, é possível se imaginar trabalhando com alguma coisa que gosta, morando em outro lugar, viajando ou tendo uma casa própria. E repare que as primeiras coisas que vem à cabeça na maioria das vezes não soam como algo muito grandioso.

Poucas são as pessoas que se imaginam discursando para milhões, em algo extremamente grandioso ou tendo uma vida agitada e cheia de coisas? Será que isso faz de alguém menos ambicioso? Tenho minhas dúvidas.

Se pararmos para pensar no que a maioria das pessoas deseja, para além de todas as grandes conquistas, existe sempre aquela vontade de ter uma casa própria, um lugar tranquilo para ficar sozinho ou acompanhado, uma vida tranquila o suficiente para poder viver os momentos sem muita ansiedade. Como se a felicidade estivesse muito mais no viver em si, sem estresse, com boas lembranças, do que na conquista de grandes coisas. Coisas que,  perto do que a internet as vezes vende, soam simples demais.

Acontece que vivemos em uma sociedade que aprendeu a odiar o comum. Desde sempre o que fica na cabeça é que devemos ter uma ambição gigantesca, sempre algo grande, como se só isso fosse fazer você se "tornar alguém". Se você  imaginar um futuro com uma rotina simples, ou não se pressionar a ser uma pessoa especial, já  começa a bater aquela sensação de que vai passar batido, que só ser feliz não é o suficiente.

Mas esse necessidade constante de que a vida precisa ser grandiosa, tudo precisa ser perfeito, tudo precisa dar certo é uma invenção bem atual. Se pararmos para olhar um pouco para a filosofia oriental, a visão do futuro pode ir para um lado bem mais leve.

No Taoísmo existe um conceito chamado de Wu Wei,  podemos chamá-lo aqui de "ação sem esforço". A ideia do Lao Tzu, um dos principais nomes dessa filosofia, não era para ninguém ficar de braços cruzados, atrofiando na cama, óbvio, mas sobre seguir o ritmo da vida, do crescimento, sem se preocupar em fazer coisas extremamente grandiosas e significativas. A vida é como um rio, algumas pessoas se pressionam a fazer grandes coisas, na esperança de deixar essa corrente mais significativa, Lao Tzu propõe algo mais simples.  E se só seguíssemos a correnteza? Por que o futuro não pode ser só uma carreira simples que te agrade, com pessoas que você gosta?

O budismo vai numa linha muito parecida, ele fala muito do desapego. Mas você não precisa virar buda nem meditar por anos para entender isso. Ele aborda  muito sobre abandonar os extremos, não precisa de grandes luxo, grandes feitos. 

O próprio Buda é o melhor exemplo disso, e do jeito mais irônico possível. O cara era um príncipe herdeiro que tinha absolutamente tudo, festas, dinheiro, status , até que surtou, meteu o pé do palácio e decidiu ir para o extremo oposto: passou anos sem comer quase nada, morando no mato, tentando virar uma espécie de santo. Resumo da ópera? Ele quase morreu de fome para descobrir o óbvio: que ficar mimado num palácio não é a coisa mais legal  do mundo, mas passar fome na floresta também é horrível. A sabedoria dele veio, de verdade, quando ele escolheu o caminho do meio, a simplicidade.


Depois de dar uma olhada nessas duas filosofas, percebemos que a  felicidade não está necessariamente em uma grande conquista. A felicidade depende do ato de viver, que é feito quase 100% do tempo de momentos comuns. 

Então, se ao pensar em como você se imagina daqui a dez anos a resposta for algo simples, não se sinta mal. Você não precisa impressionar o mundo ou provar algo para alguém para que seu futuro valha a pena.

sábado, 5 de setembro de 2026

Sua região tem arte. E você, tá olhando? (Parte 1)

Conta para mim: Nesse último ENEM, você usou algum desenho animado de repertório para a sua redação, não foi? 

Nos últimos anos, tem se popularizado bastante fugir um pouco dos livros dos velhotes intelectuais para usar repertórios mais atuais, que fazem parte da vida dos vestibulandos. É uma prática que, com certeza, é muito interessante! Facilita nossos estudos e também, ajuda a olhar criticamente até as coisas mais rotineiras. 

Seguindo nessa linha, de olhar atentamente para cada cantinho do cotidiano, por que não consumir da arte local, apoiando as mentes criativas da nossa região, ao mesmo tempo que você garante sua vaga na facul? Te trago aqui, várias obras super interessantes para você se antenar e procurar mais manifestações desses artistas. Segue o fio: 

Danças urbanas 

fotos por Isabelli Alves 

    Você quer expressão e muita emoção? Seu pedido foi entregue. Essas fotos registraram diferentes apresentações em diferentes lugares: A primeira, é uma dançarina com menos de 12 anos em um solo de dança contemporânea, em Indaiatuba. Já as duas que seguem, são apresentações montadas do zero pelo Coletivo Corpo, de dançarinos de Salto e Itu. O grupo já levou sua arte para o FIH2, a maior competição de danças urbanas do país. A segunda imagem, é um momento da última produção do coletivo: Anátema, sobre uma bruxa que depois de queimada pela perseguição, ressuscita com uma grande maldição. Vale a pena conferir.

Danças Clássicas 

 

fotos por @m.felixx__   @011davizn_

    Do lado contrário de Anátema, nós temos artes mais eruditas. Essa imagem é um registro de dois dançarinos de ballet clássico, que estudam no Balled Studio de Dança aqui em Salto, e estavam representando a cidade em uma competição na capital! Pegaram estrada, e foram parar no Pas de Festival (diga-se por passagem, uma competição internacional tá?)

Artes Visíveis 

fotos por Ana Lara
    Essas são obras do Museu Asas de um Sonho, em Itu, organizadas pelo FAMA Museu. O foco do museu é valorizar a história da aeronáutica do mundo, mas também trazer um olhar para a arte contemporânea. A tela a direita, utiliza de um expressionismo figurativo para retratar figuras antropomórficas em interação. A tela a esquerda chega a utilizar argila e terra, além de tinta! Agora, acho que a interpretação fica por sua conta. 

A sua região tem arte. E você, ta olhando? (Parte 2)

 Artes cênicas 

fotos por Lucas Oliveira Silva 
    Além do drama, tem risada. Essas são apresentações que foram todas feitas aqui na cidade de Salto. A primeira e a terceira imagens, capturam peças organizadas pela escola CAEL. Uma, chama-se "Arlequim: o chefe de dois amos" e a outra "A alma boa de Set Suan". 
    Mas o melhor a gente deixa por último né? A segunda foto foi tirada de uma peça 100% de autoria do nosso grupo de teatro do IFSP em 2025. A adaptação do livro Capitães de Areia para uma peça dramática foi feita por alunos do campus, que deram vida a trama com toda impetuosidade.

Artes Plásticas 
fotos por Ana Lara 
    Para finalizar, trago dose dupla. Essas obras também estão expostas pelo FAMA Museu, em Itu. A primeira obra é feita pelo artista Henrique Oliveira, que é conhecido por misturar arquitetura, matéria orgânica e formas escultóricas. Nessa em específico, foi usado bambu e muita técnica de arquiteto para manter tudo de pé. Matéria orgânica também está presente na próxima obra, de Marcos Amaro (fundador do museu). Ele utiliza ossadas bovinas enfileiradas, para remeter ao clico da vida, à memória e à ruína.