quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Cinema Brasileiro: Uma jornada pela história do cinema nacional (Parte 1)

 Quando o assunto é cinema nacional, muita gente já solta aquele famoso discurso “ah, filme brasileiro é muito ruim”, “filme brasileiro é fraco”, “Brasil não faz filme bom”. Mas será que essa ideia faz mesmo sentido? Ou é apenas um reflexo de preconceitos e desconhecimento? Por trás dessa opinião, existe uma indústria cheia de lutas, conquistas e produções que marcaram épocas e gerações, feitas por pessoas talentosas que colocam o Brasil no mapa do audiovisual mundial. Então, será que você conhece a história do nosso cinema e essas obras?

O cinema brasileiro começou lá no finalzinho do século XIX, quando os irmãos Paschoal Affonso e Segreto filmaram a Baía de Guanabara em 19 de julho de 1898. Apesar desse registro ter sido perdido, a data marcou o nascimento do nosso cinema, sendo conhecida como o dia do cinema brasileiro. Nos primeiros anos, tudo era improvisado, faltava eletricidade, as salas de exibição eram poucas e muitos filmes mostrados vinham de fora, principalmente da Europa. Mesmo assim, os primeiros cineastas brasileiros já registravam o cotidiano, as cidades, as festas e até alguns crimes que inspiraram ficções.

Mas essa fase durou pouco. Com a Primeira Guerra Mundial, a produção europeia caiu e os filmes estadunidenses começaram a dominar as telas brasileiras. Hollywood adentrou nosso cinema com histórias bem estruturadas, ritmo e finais felizes, um "padrão" que conquistou o público e enfraqueceu ainda mais as produções nacionais.

Mesmo nesse cenário, surgiram grandes estúdios como a Cinédia, nos anos 1930, que tentaram seguir um modelo mais profissional e até simpatizar com o estilo hollywoodiano. Foi nessa época que Carmen Miranda virou estrela e que o cinema sonoro finalmente ganhou força no Brasil. Pouco tempo depois, nos anos de 1940 e 1950, veio um dos fenômenos mais engraçados e populares do país, as chancadas. Eram comédias leves, divertidas e cheias de músicas, com figuras como Oscarito e Grand Otelo. A crítica repreendia, mas o público abraçava e lotava os cinemas.

Enquanto isso, outro movimento completamente diferente estava nascendo. No final dos anos 1950 e início dos 1960, jovens cineastas começaram a questionar essa tentativa de produzir um cinema "padronizado" no modelo de Hollywood. Assim surgiu o cinema novo, liderado por Glauber Rocha. A ideia era mostrar a realidade do Brasil sem maquiagem, destacando a pobreza, desigualdade, conflitos sociais. Era um cinema mais político, direto e cheio de significado. Filmes como Vidas Secas, Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe marcaram profundamente a história do audiovisual brasileiro.

Ao mesmo tempo houve também o cinema marginal, mais experimental e radical, que rejeitava qualquer forma tradicional de narrativa. Foi um período de busca por liberdade artística num país vivendo sob a pressão da ditadura militar.

Para tentar organizar e fortalecer a indústria, o governo criou em 1969, a Embrafilme, responsável por financiar, distribuir e incentivar o cinema nacional. Esse foi um momento importante pois vários filmes brasileiros passaram a circular mais, ganhar bilheterias enormes e alcançar o público de forma muito mais ampla. Dona Flor e Seus Dois Maridos, Os Trapalhões e diversos filmes comerciais marcaram presença forte nas salas.

Porém , nos anos 1980, o Brasil enfrentou uma crise econômica séria. O videocassete se popularizou, as pessoas foram menos ao cinema e a produção nacional despencou. a situação piorou de vez em 1990, quando o governo Collor acabou com a Embrafilme e praticamente destruiu o pouco avanço que ainda existia. Em 1992, por exemplo, só três filmes brasileiros foram lançados em todo o país.

Foi aí que, a partir de 1994, começou a fase chamada retomada. Novas leis de incentivo ressuscitaram o cinema nacional, e uma série de filmes importantes voltou a aparecer. Carlota Joaquina abriu caminho para obras como O Quatrilho, O Que É Isso, Companheiro? e Central do Brasil, que ganharam destaque internacional e até indicações ao Oscar. Apesar disso, ainda era difícil competir com Hollywood dentro do próprio país, mas o cinema brasileiro voltou a ter voz, qualidade e reconhecimento.

O filme que marcou o fim simbólico da retomada foi Cidade de Deus(2002), de Fernando Meirelles. Ele explodiu no mundo inteiro, recebeu quatro indicações ao Oscar e mostrou que o Brasil podia, sim, fazer cinema de altíssimo nível.

Depois disso, na fase chamada pós retomada, o cinema brasileiro se consolidou com produções comerciais de grande público, como Tropa de Elite, Minha Mãe É Uma Peça e De Pernas pro Ar, ao mesmo tempo em que produções independentes começaram a ganhar força em festivais internacionais. Diretores como Kleber Mendonça Filho, Gabriel Mascaro, Petra Costa e Anna Muylaert mostraram que o Brasil sabe fazer cinema diverso, corajoso e autoral.

Mesmo com crises recentes, corte de verbas e incertezas políticas, o audiovisual brasileiro continua vivo, agora contando também com o apoio de plataformas de streaming, da internet e das novas formas de produção.

Cinema Brasileiro: Uma jornada pela história do cinema nacional (Parte 2)

 Nossa história no cinema é cheia de altos e baixos, mas também é marcada por criatividade, resistência e talento. E quando a gente olha para tudo isso, aquela frase "filme brasileiro é fraco" perde completamente o sentido. Agora sabendo da nossa história, vamos conferir algumas produções que fizeram história e marcaram milhões de pessoas.

O Pagador de Promessas (1962) Direção: Anselmo Duarte

Zé do Burro carrega uma enorme cruz até uma igreja em Salvador para pagar uma promessa feita a Santa Bárbara, mas enfrenta intolerância e burocracia ao ser impedido de entrar. O filme critica o coque entre fé popular e instituições religiosas. ele se tornou um marco do cinema mundial e o único brasileiro vencedor da Palma de Ouro. 

Vidas Secas (1963) Direção: Nelson Pereira dos Santos

Acompanha uma família de retirantes e a cadela Baleia enquanto enfrentam seca, fome e miséria no sertão nordestino. Com estética dura e silenciosa, retrata a opressão e a invisibilidade social. É um dos filmes mais emblemáticos do cinema novo pela força realista de suas imagens.

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) Direção: Glauber Rocha

Manuel e Rosa fogem após Manuel matar o patrão e acabam divididos entre seguir um líder messiânico ou o cangaço. A obra mistura política, religiosidade e violência sertaneja para retratar a luta contra a opressão. É considerado um dos filmes mais importantes da história do cinema brasileiro.

Macunaíma (1981) Direção: Joaquim Pedro de Andrade

Macunaíma, um anti-herói preguiçoso, vive aventuras absurdas que revelam contradições sociais e culturais do Brasil. a narrativa mistura humor, fantasia e crítica social. Baseado no romance modernista, o filme ironiza a identidade nacional com atrevimento e estilo único.

Eles Não Usam Black-Tie (1981) Direção: Leon Hirszman

Retrata uma família operária dividida entre apoiar ou não uma greve, refletindo os conflitos entre militância, medo e sobrevivência. O filme mostra tensões políticas e afetivas no contexto do movimento sindical. Se tornou uma referência do cinema político brasileiro. 

Ilha da Flores (1989) Direção: Jorge Furtado

Através do percurso de um tomate, o curta expõe desigualdade, fome e consumo exagerado com humor ácido e montagem veloz. A narrativa demonstra como seres humanos acabam disputando restos com animais em um lixão. É um dos curtas mais premiados e impactantes do mundo.

Central do Brasil (1998) Direção: Walter Salles 

Dora e o menino Josué viajam em busca do pai dele, criando um vínculo de afeto durante o trajeto pelo interior do Brasil. o filme explora abandono, esperança e reconstrução emocional. Recebeu grande reconhecimento internacional e marcou a retomada do cinema nacional.

Tropa de Elite (2007) Direção: José Padilha 

Mostra a rotina violenta do BOPE sob a perspectiva do capitão Nascimento e denuncia corrupção, abuso de poder e desigualdade. Com linguagem intensiva e realismo brutal, gerou grande debate sobre segurança pública. Venceu o Urso de Ouro no festival de Berlim.

Minha Mãe É Uma Peça (2013) Direção: André Pellenz

A comédia acompanha Dona Hermínia, uma mãe exagerada e amorosa que enfrenta conflitos com seus filhos enquanto tenta lidar com sua vida familiar. O humor cotidiano revela afeto, caos e identificação com o público brasileiro. Se tornou um fenômeno de bilheteria também com suas sequências.

Cidade de Deus (2002) Direção: Fernando Meirelles e Kátia Lund

A narrativa acompanha Buscapé e o crescimento do crime organizado na favela Cidade de Deus ao longo de décadas. Com montagem ágil, violência crua e personagens marcantes, revela exclusão social e falta de oportunidades. É considerado um dos maiores filmes da história do Brasil.

Homem com H (2025) Direção: Esmir Filho

Documentário sobre Ney Matogrosso que revela sua vida artística, sua estética ousada e sua influência cultural no Brasil. A obra reúne entrevistas, bastidores e performances marcantes. Mostra a força de sua personalidade e importância na música nacional.

Bacurau (2019) Direção: Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

Um pequeno vilarejo sertanejo desaparece misteriosamente dos mapas e descobre que está sendo caçado por estrangeiros. O filme mistura ficção científica, faroeste e crítica política ao falar de resistência comunitária. Se tornou um símbolo do cinema brasileiro contemporâneo

Madame Satã (2002) Direção: Karim Ainouz

Retrata a vida de João Francisco, artista e figura da Lapa nos anos 1930, conhecido como Madame Satã. O filme mostra sua luta contra o preconceito, violência policial e pobreza, ao mesmo tempo que exibe sua força e criatividade. É uma obra intensa sobre resistência e identidade.

 Carlota Joaquina (1995) Direção: Carla Camurati

Com muito humor e ironia , o filme revisita a chegada da corte portuguesa ao Brasil, ironizando eventos históricos e comportamentos da elite colonial. Mistura teatralidade com crítica política. Foi um dos títulos que marcou a retomada do cinema nacional.

Limite (1931) Direção: Mário Peixoto

Acompanha três personagens à deriva em um barco enquanto lembram seus passados através de imagens simbólicas e poéticas. Com estética experimental e narrativa não linear, discute liberdade, dor e memória. É considerado um dos filmes mais importantes e inovadores do cinema mundial.

Cabra Marcado para Morrer (1984) Direção: Eduardo Coutinho

Começou como uma ficção sobre um líder camponês, mas foi interrompido pela ditadura e retomado 20 anos depois como documentário. Revisita pessoas reais e mostra as marcas deixadas pela repressão política. É um dos maiores registros da memória social brasileira.

Bicho de Sete Cabeças (2001) Direção:Laís Bodanzky

Neto é internado à força em um manicômio, onde enfrenta maus tratos e abusos que revelam a violência do sistema psiquiátrico da época. A obra discute relação familiar, saúde mental e injustiça institucional. Baseado em acontecimentos reais.

Carandiru (2003) Direção: Héctor Babenco

Inspirado nos relatos do Dr. Drauzio Varella, retrata o cotidiano dos detentos do presídio Carandiru e suas histórias pessoais. O filme termina no massacre de 1992, denunciando o abandono e a brutalidade do sistema prisional. É marcante pela força de seu realismo social.

Depois desse passeio pelos filmes brasileiros, dá para ver como nosso cinema é muito mais rico do que muita gente imagina. Cada obra mostra um pedaço do país e nos faz olhar para nossa própria realidade de um jeito novo. Vimos que o cinema nacional não é só entretenimento, é conversa, reflexão e identidade. Agora que você já conhece tantas histórias, que tal compartilhar esse texto com alguém que ainda insiste em dizer que "filme brasileiro não presta"? Quem sabe essa pessoa descubra finalmente tudo o que nossa história cinematográfica oferece e representa!!




sábado, 29 de novembro de 2025

Vida loka é quem estuda

   Você já parou pra pensar que, mesmo com 18, muita gente ainda deixa os outros decidirem por ela? E não é só sobre o que vestir ou que curso escolher, é sobre vida, escolhas e futuro.

   Kant dizia que a menoridade é quando alguém não consegue usar seu próprio entendimento sem a tutela de outro. Crescer significa sair dessa zona de conforto, encarar que ninguém vai decidir por você e que, se você não pensar, alguém vai fazer isso por você, muitas vezes de forma perigosa. Às vezes pode ser desconfortável refletir, mas é algo irrefutavelmente necessário.

   A maioria dos jovens passa anos seguindo padrões: memes, tendências, expectativas de família ou do grupo de amigos, e ao fim, parece seguro, mas é como viver no piloto automático. Uma pesquisa da Common Sense Media mostrou que quase 8 em cada 10 adolescentes dizem que as redes sociais aumentam a pressão para “parecer bem” ou se apresentar de determinada maneira, o que ajuda a explicar por que a exposição constante a padrões externos atrapalha a autonomia nas decisões importantes.

   Mas existe saída, pois sair da menoridade não é só conceito filosófico, é uma ação diária, bem como, uma luta constante, podendo ser enfatizado aqui em “vida loka é quem estuda”, do poeta brasileiro Sérgio Vaz. Vida loka não é se perder em festas ou rolês infinitos, é estudar a vida, estudar a si mesmo, decifrar sua classe social e os obstáculos que ela impõe, aprendendo a questionar tudo e filtrar informações, porque quem manda muitas vezes quer te manter refém. 

   Quem desenvolve autonomia intelectual constrói imunidade contra manipulação, entende suas prioridades de verdade e toma decisões conscientes, sem se dobrar a regras que não escolheu. Isso é resistência e um mecanismo combativo, pois estudar é o ato mais radical que você pode fazer contra um mundo que te quer atrofiado à ignorância e alienado pelo medo.

Uma solução real é criar micro-hábitos de autonomia:

  1. Questione tudo: cada decisão importante, pergunte a si mesmo se é realmente sua ou influência externa. Às vezes, essa vontade pode não ser a sua.
  2. Aprenda algo novo por conta própria: domine algo que ninguém te obrigou a aprender, seja um vídeo, podcast, livro ou tutorial no YouTube. Escolha o que estudar, e só você decide o valor do seu conhecimento.
  3. Registre seus pensamentos: escrever ajuda a perceber padrões de dependência, desejos reais e medos.

   Referências culturais podem ajudar a internalizar: no filme Matrix, Neo precisa escolher entre a pílula azul, indicando seguir cegamente o que outros decidem por você, e a vermelha, estabelecendo questionamentos, como pensar por si mesmo e enfrentar o desconhecido. Sair da menoridade é escolher a pílula vermelha todos os dias, mesmo que assuste, pois o real assustador, é tornar inoperante o cérebro que tentou gritar até pensar.

   Ao aplicar essas pequenas práticas, você cria autonomia real, pois não é algo que envolve somente filosofia, isso traz treino mental sob sua condição lenta, porém, durável e permanente, em que cada decisão consciente fortalece a confiança em si mesmo. Você percebe que pensar sozinho é libertador, desse modo, a vida passa a ter significado próprio e os conselhos dos outros deixam de ser uma prisão.

    No fim, a pergunta permanece: você vai continuar no piloto automático ou vai assumir o controle da sua mente e da sua vida? Crescer dói, mas nada é mais poderoso do que perceber que sua própria razão é a sua maior ferramenta.


quarta-feira, 5 de novembro de 2025

O segredo da nota 1000: Citações para argumentar e enriquecer a sua redação!

O dia do ENEM está chegando e com ele vem toda a mistura de nervosismo, expectativa, determinação e medo. Entre as questões de múltipla escolha e fórmulas decoradas, há uma etapa que exige algo mais pessoal e criativo, a redação.

Entre as cinco competências avaliadas no texto dissertativo-argumentativo do Exame Nacional do Ensino Médio, está a competência 2. Ela avalia a sua capacidade de compreender a proposta de redação, aplicar conceitos de diferentes áreas do conhecimento e desenvolver argumentos de forma consistente, coerente e autoral. De forma resumida, é nessa parte que você apresenta seu conhecimento sociocultural aplicando-o sobre qualquer tema. Uma das melhores formas de fazer isso é usar frases de grandes filósofos, escritores e até personalidades atuais. Nesse texto você vai descobrir diversas citações que podem ser usadas com diversos temas para enriquecer e estruturar sua redação, te aproximando da tão sonhada nota 1000.

Maria Carolina de Jesus, escritora e poetisa brasileira:

“Quem inventou a fome são os que comem.”

“O negro só é livre quando morre.”

“Antigamente o que oprimia o homem era a palavra calvário; hoje é salário.”

“O negro é tão perseguido, que as vezes sente complexos de inferioridade.”

“Eu classifico São Paulo assim: O Palácio é a sala de visita. A Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela é o quintal onde jogam os lixos.”

Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro:

“Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.”

“Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor.”

“Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes.”

“A inclusão acontece quando se aprende com diferenças e não com as igualdades.”

“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.”

Karl Marx, filósofo e sociólogo alemão:

“A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes.”

“Qualquer um que saiba alguma coisa da história sabe que grandes mudanças sociais são impossíveis sem o fermento feminino.”

“O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem, a essência domina-o e ele adora-a.”

“O trabalho na pele branca nunca poderá se libertar enquanto o trabalho na pele negra for marcado.”

Simone De Beauvoir, escritora francesa:

“A mulher está voltada à imoralidade porque a moral consiste, para ela, em encarnar uma entidade inumana: a mulher forte, a mãe admirável, a mulher de bem.”

“Ninguém nasce mulher, torna-se mulher.”

“Em todas as lágrimas há uma esperança.”

“Toda opressão cria um estado de guerra.”

Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo polonês:

“Tudo é mais fácil na vida virtual, mas perdemos a arte das relações sociais e da amizade”

“Não se pode escapar do consumo: faz parte do seu metabolismo! O problema não é consumir; é o desejo insaciável de continuar consumindo… Desde o paleolítico os humanos perseguem a felicidade… Mas os desejos são infinitos. As relações humanas são sequestradas por essa mania de apropriar-se do máximo possível de coisas.”

“Em vez de construir muros, deveríamos construir pontes.”

“Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte.”

“O velho limite sagrado entre o horário de trabalho e o tempo pessoal desapareceu. Estamos permanentemente disponíveis, sempre no posto de trabalho.”

Djamilla Ribeiro, filósofa e ativista do movimento negro no Brasil:

“Minha luta diária é para ser reconhecida como sujeito, impor minha existência numa sociedade que insiste em negá-la.”

“Se eu luto contra o machismo, mas ignoro o racismo, eu estou alimentando a mesma estrutura.”

“O silêncio é cúmplice da violência.”

“O racismo é um sistema de opressão que nega direitos, e não um ato da vontade de um indivíduo.”

“É importante ter em mente que para pensar em soluções para uma realidade, devemos tirá-la da invisibilidade”

Confúcio, pensador e filósofo chinês:

“Se queres prever o futuro, estuda o passado.”

“Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros.”

“Saber o que é correto e não fazer é falta de coragem.”

“A cultura está acima da diferença da condição social.”

“Não são as ervas más que afogam a boa semente, e sim a negligência do lavrador.”

Martin Luther King, ativista político estadunidense:

“A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar.”

“A liberdade jamais é dada pelo opressor ela tem que ser conquistada pelo oprimido.”

“Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez consciente.”

“Uma das coisas mais importantes da não violência é que não busca destruir a pessoa, mas transformá-la.”

“Toda hora é hora de fazer o certo.”

Nelson Mandela, ex presidente da África do Sul e vencedor do Prêmio Nobel da Paz:

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”

“Liberdade parcial não é liberdade.”

“Nenhum poder na Terra é capaz de deter um povo oprimido, determinado a conquistar sua liberdade.”

“Quando é negado a um homem o direito de viver a vida que ele acredita, ele não tem escolha a não ser se tornar um fora da lei.”

“Eu fui feito, pelas leis, um criminoso. Não pelo que fiz, mas pelo que eu lutei, pelo que eu pensei, por causa da minha consciência.”

Malala Yousafzai, ativista paquistanesa e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz:

“Um livro, uma caneta, uma criança e um professor podem mudar o mundo.”

“Com armas você pode matar terroristas. Com educação, você pode acabar com o terrorismo.”

“A diversidade promove a tolerância. Quando você não encontra pessoas diferentes, não percebe coisas, não percebe o quanto tem em comum com elas. ”

“Você pode pertencer a qualquer religião, casta ou credo,isso não tem nada a ver com os negócios do Estado.”

“Nós percebemos a importância da nossa voz quando somos silenciados.”

Jane Goodall, etóloga e antropóloga britânica: 

“Algum dia, olharemos para trás, para esta era sombria da agricultura, e iremos balançar a cabeça em sinal de reprovação. Como pudemos acreditar que cultivar nossos alimentos com venenos seria uma boa ideia?”

“A mudança acontece quando se ouve e se inicia um diálogo com as pessoas que estão fazendo algo que você não considera correto.”

“Você não consegue passar um único dia sem causar impacto no mundo ao seu redor. O que você faz faz diferença, e você precisa decidir que tipo de diferença quer fazer.”

“Só podemos nos importar se entendermos. Só podemos ajudar se nos importarmos. Só se ajudarmos seremos salvos.”


Viu como as citações podem ser suas melhores aliadas? Elas não estão aí só para deixar o texto bonito, mas para mostrar que você é capaz de relacionar o que aprendeu com o mundo ao seu redor. Mais do que decorar citações, o importante é entender o que cada uma delas significa. Que tal escolher as frases que você mais gostou e treinar hoje mesmo? A nota 1000 pode estar na próxima redação que você começar!!


sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Subculturas no IFSP Salto (Parte 1)

Subculturas não são vitrines exóticas nem estatísticas de tendência: são modos de vida estéticos, políticos e afetivos, que as pessoas criam para se reconhecer, resistir e inventar possibilidades de pertencimento. Neste blog vou me aproximar dessas experiências com atenção histórica e empatia. Para manter o sigilo sobre quem confidencia suas histórias, usarei nomes fictícios e alterarei detalhes identificadores sempre que necessário. 

Entrevistador: Qual é a sua subcultura e como você começou a se interessar por ela?

Téo Moura (2º ano Ensino Técnico Integrado ao Médio): Eu me considero punk, mas antes de tudo é importante dizer o que entendo por ser punk. O punk nasceu nos anos 1970 como uma revolta jovem; ele se desdobra em várias vertentes e cenas (oi!, ska, hardcore, skinheads associados a certas tradições, entre outras), cada uma com sua cultura e suas referências. No geral, para mim, punk é pensar por si mesmo e questionar o sistema, embora nem sempre seja fácil dizer exatamente qual sistema precisamos criticar.

Minha entrada nesse universo não foi direta pelo punk: comecei ouvindo rock e metal quando criança, por influência do meu pai e da minha irmã, bandas como Pearl Jam, Black Sabbath, Metallica, Soundgarden, Nightwish e System of a Down. Foi especialmente o System of a Down, com letras mais críticas, que me fisgou. Aos poucos formei minha primeira banda e fui mergulhando ainda mais no metal, mas sentia falta de letras mais contundentes. Adorava Slayer, Kreator e Sepultura justamente por esse tom crítico: músicas que tratavam de guerra, de poder e de injustiças, incluindo reflexões sobre o nazismo e sobre episódios violentos como o Massacre do Carandiru, e canções que falavam do Brasil e de conflitos globais me intrigavam.

Acabei chegando ao punk por identificação com a ideia de anarquia e com a crítica política, embora não me considere um anarquista absoluto. Comecei com Ramones e Sex Pistols e hoje ouço tanto punk quanto metal, por isso curto muito crossover. O que mais me interessa são as letras: bandas como Ratos de Porão, Suicidal Tendencies (especialmente material crítico à política da era Reagan), Sacred Reich e Sodom, que abordam imperialismo e poder; Bad Religion, com letras filosóficas; e, principalmente, Dead Kennedys. Jello Biafra é uma influência grande para mim por suas letras satíricas e diretas, músicas como “Kill the Poor”, “California Über Alles”, “Police Truck” e “Soup Is Good Food” mostram bem esse tom.

Indivíduos com moicano, roupas remendadas e sinais DIY (patches, zines
ou cartazes) em ação direta. O estilo é também tática, recusa das normas,
 produção própria e construção de redes de ajuda e resistência.

Entrevistador: Você já teve problemas ou conflitos na escola por causa da sua subcultura?

Téo Moura (2º ano Ensino Técnico Integrado ao Médio): Incrivelmente, nunca. Em nenhuma escola tive problema com isso. Apenas ganhei o apelido de "Téo do Rock" na minha atual escola, particularmente, eu gostei. No máximo, pessoas interagem comigo apenas fazendo o sinal do rock, que eu não sei como responder. Mesmo fora da escola, me sinto seguro. Os próprios eventos de punk ou metal não são perigosos, mas sempre é bom tomar cuidado com quem você interage.

Entrevistador: Qual é a sua subcultura e como você começou a se interessar por ela?

Naya Campos (3º ano Ensino Técnico Integrado ao Médio): Bom, eu sou do hip-hop. Desde que me entendo por gente, eu colava em batalha de rima porque meu pai, quando era mais jovem, tinha minha idade, uns 17/18 anos, também participava e vivia o movimento de perto. Com o tempo ele acabou se afastando, porque passou a achar aquele ambiente meio pesado: muita gente fumando e usando coisa, e ele não se identificava. Mesmo assim, o rap nunca deixou de estar presente na minha vida. Nos almoços de família tocava sertanejo, samba, pagode... mas também Racionais MC’s, Sabotage, 509-E, Dexter, o rap nacional sempre teve lugar em casa. Aí eu cresci e, com o passar dos anos, comecei eu mesma a colar nos eventos de hip-hop, ocupando os espaços que, de alguma forma, sempre fizeram parte da minha história.

E o hip-hop salva vidas. Eu vi muitas vidas sendo salvas dentro do hip-hop, pelo hip-hop. E a minha vida, eu digo que também foi salva pelo hip-hop, porque o Slam poesia, me encontrou no momento em que eu mais estava mal, de vida e de tudo isso. Então, quando eu achava que eu não tinha nada, o hip-hop me mostrou que eu tinha tudo, sabe? E me ensinou muito. Ainda me ensina, né?

Foi muito marcante quando comecei a batalhar. Na Batalha do Campo Bonito, eu era a única menina, tanto rimando quanto na plateia. Eu cheguei na final, perdi, mas tudo bem. Na semana seguinte, tinha muito mais meninas lá, rimando e assistindo. Pra mim, isso já é tudo. O hip-hop salva vidas, eu vi isso acontecer com outras pessoas e comigo também.

O palco vira arquivo e tribunal. Rimas e movimento corporal articulam
 memória do bairro, denúncia e ocupação do espaço público.

Subculturas no IFSP Salto (Parte 2)

Entrevistador: Você acha que a sua subcultura influencia outros estudantes ou a cultura da escola?

Naya Campos (3º ano Ensino Técnico Integrado ao Médio): Eu acho que o hip-hop está muito difundido já. Tipo assim, não do jeito que deveria estar, na minha opinião. Acho que poderia ser melhor. Ocupar mais espaço. Mas por causa da mídia, da Batalha dos Estudantes, da Batalha da Aldeia, e essas grandonas aí, a Batalha da Norte e tal, acho que o hip-hop já está alcançando mais público. E eu fico muito feliz em saber disso, sabe?

Mas eu tenho uma certa preocupação quanto à qualidade de como essa informação chega. Porque a gente está vindo numa leva que é muito grande, de pessoas que estão colando, que estão indo, mas estão indo pelo rolê, não pela luta, não pelo movimento, não pela arte, sabe? Não é uma parada de você ficar levantando bandeira social o tempo todo, ou tipo assim, “ah, é isso que eu faço”, e o hip-hop e negros, tá ligado? Não é bem isso. A parada é que as pessoas estão esquecendo que vem disso, sabe? Que vem do underground, que é uma cultura de periferia, é uma cultura marginal.

Agora, se eu acho que a minha subcultura influencia outros estudantes, eu acho que sim, mas não por mim, sabe? Eu acho que não é exatamente por mim. Assim, quando a gente fazia os slams, muita gente começou a rimar por causa disso, começou a fazer poesia por causa disso, então eu acho que sim, né? Mas eu não acho que seja exatamente pela minha estética individual, mas estou sempre colando essas coisas, tá ligado?

Entrevistador: Qual é a sua subcultura e como você começou a se interessar por ela?

Isís Duarte (1° ano Ensino Técnico Integrado ao Médio): Eu pertenço a subcultura gótica. Que é uma subcultura que se manifesta na arte, literatura, cinema e música, com temas sombrios e melancólicos, valorizando a individualidade e criticando o materialismo e o conformismo social. E eu comecei a me interessar por ela quando passei a entender melhor meus gostos musicais, minhas ideias e o que eu queria expressar. A partir disso, fui me aprofundando e descobrindo mais sobre.

“Goths Against ICE”: a estética sombria foi tomada como ato público de
 solidariedade, convertendo ritual visual em denúncia contra expulsões
 e violência institucional.

Entrevistador: Que aspectos da escola dificultam ou ajudam você a se expressar como é dentro da subcultura?

Isís Duarte (1° ano Ensino Técnico Integrado ao Médio): Hoje em dia, não sinto dificuldades na escola. As escolas atuais são mais abrangentes. No IFSP, especificamente, o ambiente é muito mais positivo, tem liberdade de expressão, inclusão, todos são acolhidos sem exceção. Isso ajuda bastante e torna a experiência boa.

Conclusão: vozes marginais, territórios tomados

A escola também é palco de resistência, pois cada subcultura, seja punk, hip-hop, gótica ou qualquer outra, mostra que existir diferente é um ato político. 

"Na minha mente a luz tá acesa e eles tão tipo numa sala escura, sempre batendo em quem tá com o verdinho na mão... mas o engraçado é que a coca pode no canhão da viatura. Então prepara, que eu tô pronta pra atirar, e não só eu: vários poetas, com a boca, vão disparar; vamos ser linha de frente e mostrar a situação da favela." — Malu Criar

São vozes que transformam o cotidiano em protesto, para que o movimento seja um líquido difundido que amarga a boca, mas enobrece o coração.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

A geração de homens que vai morrer sozinha

    Você já ouviu a frase: “tinha que ser mulher"? Eu ouvi desde cedo, como se ser uma mulher fosse um pecado diário. Mas o curioso é que hoje, quem se perde nesse jogo não somos nós. São eles.


    As mulheres mudaram. Estudam mais, trabalham mais, sustentam suas casas e decidem seus caminhos, e isso não é detalhe, é revolução cotidiana. No Brasil, mais de 60% das pessoas que concluem o ensino superior são mulheres (IBGE, 2022), que conquistaram espaço em áreas antes negadas e, ao fazer isso, transformaram as relações de poder. Enquanto isso, muitos homens ainda acreditam que basta repetir o roteiro antigo para garantir respeito, amor ou companhia, porém, esse script não funciona mais.

    Pierre Bourdieu chamava isso de dominação masculina: um sistema invisível que define quem manda, quem cala, quem cuida e quem decide. Por muito tempo, os homens foram o centro dessa engrenagem, mas quando as mulheres começaram a desafiar essas regras, a estrutura inteira tremeu. Dessa forma, muitos homens se descobriram frágeis, sem saber quem são fora do papel de provedores ou de centro da relação.

    O problema é que eles nunca praticaram se relacionar de verdade, pois aprenderam a desejar mulheres, mas não a conviver com elas. Quantos homens você conhece que conseguem ouvir sem interromper? Que aceitam um “não” sem transformar em disputa? Que enxergam uma parceira como igual, e não como alguém que deve girar ao redor deles? Essa incapacidade emocional não é detalhe, é a raiz da solidão masculina, alimentada por uma cultura que ensina a conquistar, não a se conectar. Basta lembrar de American Pie, em que o objetivo é “pegar” alguém, nunca compreender, ao passo em que alimentam essa narrativa desde cedo, aprendendo a ver o afeto como vitória e a vulnerabilidade como fraqueza. Ao fim, crescem assim, com medo de se abrir, acreditando que sentir é perder o controle.

    E há um ponto raramente dito: muitos homens heterossexuais se aproximam de mulheres não por desejo genuíno, mas porque a sociedade exige, pois ter uma parceira funciona como um carimbo de status. O problema é que laços formados pela obrigação, e não pelo afeto, acabam superficiais, formando relações rasas que não resistem em um mundo em que as mulheres não dependem mais de ninguém para existir.

    Esse quadro se soma à homossociabilidade masculina, ou seja, a intimidade e o afeto que os homens compartilham entre si, mas disfarçados de “irmandade”. Se abraçam, dividem dores, cuidam uns dos outros, mas evitam chamar isso de carinho, como se o afeto fosse permitido, mas apenas se não for com uma mulher. O resultado é paradoxal, sendo observado, em muitos casos, a relação emocional mais forte de um homem presente nos amigos, não na parceira.

    Isso explica por que tantos reclamam de solidão. Não é falta de mulheres, é falta de preparo emocional, logo, incapacidade de lidar com relações em pé de igualdade, resultando em um medo de perder o lugar de centro, sem perceber que esse lugar já não existe. Sob essa visão, os números confirmam: homens jovens relatam cada vez mais dificuldade em criar vínculos sérios (Pew Research Center, 2023, EUA), e no Brasil, eles também lideram estatísticas de depressão e suicídio: 75% dos casos registrados são masculinos (Ministério da Saúde, 2021). Isso não é coincidência, é resultado de um modelo de masculinidade que isola, endurece e, no fim, adoece.

    Enquanto isso, as mulheres seguem criando redes, cuidando umas das outras, sustentando seus próprios caminhos. Quem não acompanhar essa mudança ficará sozinho, não por azar, mas por consequência.